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Núcleo de Teoria Social e Interpretação do Brasil

Professor Igor Suzano Machado convida interessados ao PIIC

Os alunos que tenham interesse em submeter subprojeto, vinculado a um dos projetos de pesquisa do professor Igor Suzano Machado, para concorrer a uma bolsa no Piic, favor entrarem em contato com ele até o final desta semana. Os projetos são:

1. Direito e Hegemonia
Segundo Gramsci, a hegemonia é obtida quando uma classe supera sua posição corporativa para assumir um caráter dirigente, exercendo a liderança intelectual e moral da sociedade. Para Laclau, que retoma o conceito de hegemonia de Gramsci, trata-se do fenômeno de um grupo específico conseguir se apresentar como porta-voz do interesse geral. Este projeto de pesquisa tem como objetivo investigar, tanto no plano teórico, quanto empírico, como as instituições jurídicas têm sido utilizadas como arena de disputa por hegemonia por diferentes grupos sociais. Para tanto, o projeto dará guarida a desdobramentos de pesquisas anteriores sobre a utilização de performativos jurídicos por associações de classe e associações religiosas, assim como englobará outras pesquisas que se enquadrem em tal escopo – por exemplo, o uso de instrumentos jurídicos como instrumento de concretização de interesses de minorias sexuais – a depender do interesse de pesquisa dos demais pesquisadores envolvidos.

2. O “lugar” do direito na teoria sociológica contemporânea e sua recepção no Brasil
Este projeto foca a assimilação de teorias sociais contemporâneas na obra de autores que pensam a especificidade do direito no contexto brasileiro. Por exemplo, na apropriação de Foucault por uma antropologia do direito como a desenvolvida por Roberto Kant de Lima, a apropriação de Luhmann por uma teoria jurídica como a de Marcelo Neves e a apropriação de Bourdieu por uma teoria social como a de Jessé Souza. Nesses autores, a consolidação da autonomia jurídica ou da distribuição de direitos em um sentido amplo, ganha contornos especialmente dramáticos diante das especificidades culturais ou de modernização periférica do Brasil. Uma pesquisa mais aprofundada sobre estas assimilações da teoria social contemporânea e possíveis alternativas a ela na obra de outros autores, além dos citados acima, cumpriria assim a função de pensar o direito brasileiro e suas transformações tanto de um ponto de vista analítico, compreendendo o papel que ele efetivamente vem desempenhando, quanto normativo, refletindo acerca do papel que ele poderia e deveria vir a desempenhar.

3. Desafios à república liberal democrática no Brasil
O presente projeto busca proceder à intersecção entre as discussões sobre temas como justiça e democracia na teoria política contemporânea e o pensamento social e político brasileiro, refletindo acerca dos potenciais e dificuldades de implementação, no Brasil, dos ideais liberais, democráticos e republicanos que têm pautado o debate da teoria política normativa atual. Estudos em profundidade de autores como John Rawls, Michael Sandel, Philip Petit, Jürgen Habermas, etc., de um lado, e Oliveira Viana, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Raymundo Faoro, etc., de outro, serão, por si sós, importantes para a compreensão do debate. Em especial, no entanto, o entrecruzamento entre os dois campos se mostra fundamental para evidenciar impasses e possíveis novos rumos para a atual conjuntura política brasileira.

4. Transformações do ativismo no Brasil: Junho de 2013 em perspectiva comparada
A pesquisa aqui apresentada ambiciona compreender os sentidos e significados dos protestos ocorrentes no Brasil em 2013, de modo a contextualizá‐los, empírica e teoreticamente, em um marco de transformações sociais mais amplas no país e em um contexto global de reconfiguração do ativismo e das lutas sociais. O ânimo da investigação acadêmica a ser conduzida é acrescentar à plêiade de trabalhos referentes às manifestações multitudinárias observadas no Brasil em 2013 um enfoque que possibilite o suprimento das seguintes lacunas, até aqui detectadas na produção histórica e científico-social sobre o assunto: i) a devida localização dos atores, das práticas e das gramáticas notadas nas ruas em 2013 diante de processos e transformações sociais de maior amplitude e alcance, de modo a se entender as mobilizações como componentes de conflitos sociais cuja processualidade os precede e os sucede; ii) o entendimento comparativo das distintas dinâmicas associadas aos protestos de 2013 em diferentes localidades, com o objetivo de se entender o que há de geral nas práticas ativistas do Brasil contemporâneo, assim como as demandas, formas organizativas e interações sociais específicas nas cinco localidades a serem pesquisadas, quais sejam, Rio de Janeiro, Vitória, Goiânia, Porto Alegre e Belo Horizonte e; iii) a compreensão dos repertórios, reivindicações e padrões de relação entre Estado, mídia, mercado e ativistas, para além de clivagens como “novo” e “velho”, com vistas ao entendimento das relações sincrônicas entre diferentes perspectivas e tradições de processamento dos conflitos sociais no contexto das manifestações de 2013.

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